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07 dezembro 2008

Covilhã 1927 - Lisboa 2008

Era ainda nova quando li "Os nós e os laços". Foi um livro que me marcou tanto que comecei a comprar quase todos os livros de Alçada Baptista que iam sendo publicados. A escrita deste grande homem sempre me encantou.
Dos livros de Alçada Bptista, o que mais me marcou foi "O Riso de Deus".


Ajudou-me a ver:

- que é possível "fazer um acordo honrado entre aquilo que sou e o que queria ser."

- que "passei a maior parte da minha vida a limpar o meu próprio terreno de construções clandestinas, de obras feitas sem licença - sem minha licença."

- que entre mim e o meu Pai "quase tudo tinha ficado por dizer: se calhar porque a cultura da paternidade é uma coisa construída do outro lado do mundo dos nossos afectos: é isso que separa os pais dos filhos e os deixa morrer sem se terem conhecido, com o amor engasgado na garganta da vida."

- que "quando já somos fortes, podemos dar-nos ao luxo de ser fracos."

- que, "por mais estranho que pareça, homens livres, para quem a liberdade é efectivamente um valor, são os que estão presos por causa da liberdade dos outros."

- que "a gente vai aprendendo, aprendendo, e, quando está a saber quase tudo, morre..."

"Eu estou conformado com a minha morte mas tenho pena de muitas coisas que aprendi e que, nesse dia, se vão escoar pelas frinchas do meu caixão." Esse dia foi hoje.

Obrigada, Alçada Baptista, por todos os ensinamentos. Eles ficaram comigo. Não se vão escoar pelas frinchas do seu caixão.
Obrigada, Alçada Baptista, pelos momentos felizes que os seus livros me proporcionaram.
Obrigada, Alçada Baptista, por ter sido quem foi e por me ter deixado tanta coisa boa para (re)ler.