Aqui ficam, do 1º volume, uns pedacinhos esparsos ...
... de António Aleixo (1899-1949) - cauteleiro
Engraxadores sem caixa
há aos centos na cidade
que só usam da tal graxa
que envenena a sociedade.
Quantas sedas aí vão,
quantos brancos colarinhos,
são pedacinhos de pão
roubados aos pobrezinhos.
... de Manuel Alves (1843 - 1901) - cavador
Nobre e altivo Portugal,
Foste outrora o mais valente,
Hoje tão pobre e doente,
Inpério feito hospital
Saquearam-te o metal,
Altos senhores de cartola,
Partiu a doirada mola
À chave do teu dinheiro,
À porta do estrangeiro
Bates, pedindo esmola.
... de Silva Peixe (1902 - ?) - marinheiro
Honrado e pobre, longe de ilusões!
Pensador; esse dom que é muito meu!
Não sou ninguém nem tenho pretensões
De ser o que não sou. Quero ser EU.
... de Martinho Rita Bexiga (1913 - ?) - mecânico
Com teu Divino poder;
Meu Deus! se a gente merece,
Só tu nos podes valer
Grita o povo em alta prece.
... de José Maria da Silva (1860 - 1940) - serralheiro
A política! Que aversão m'inspira!
transforma o cordeiro em fera bruta,
Uma simples palavra em vil disputa,
A placidez em desmedida ira.
Atendendo às breves eleições no PSD, escolhi uns pedacinhos que tivessem algo a ver com política. Coitados dos sociais-democratas. Terem que escolher entre o mau e o péssimo!...