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11 junho 2008

8 & 80

Antes do 25 de Abril, as manifestações, nem que fossem por paralisação, não eram permitidas. Dizem que era o tempo do obscurantismo.
Hoje, não só são permitidas, como os “piquês”, como eles dizem, não dão a liberdade a ninguém de não aderir à paralisação.
E ainda dizem que o 25 de Abril nos trouxe a liberdade. No meu conceito de liberdade, qualquer camionista deveria ter o direito de parar, ou não, o seu camião.
Nem oito nem oitenta!
“Oh pá! Quando eles vêm, a gente faz o que nos vem à cabeça.” – dizia um camionista a uma estação de televisão. Pena que não venha à cabeça do Governo mandar acabar com esta pouca-vergonha.
“A malta só atirou pedras porque a Polícia não avisou que era um transporte de medicamentos.” – dizia outro. Com jeitinho ainda culpam a Polícia de ter pegado fogo aos camiões que arderam…
É que os órgãos de comunicação social resolveram fazer destes selvagens, estrelas. Estão bem uns para os outros.
Perante tudo isto o nosso Primeiro continua caladinho e já a preparar as cedências, que ele se recusará a chamar cedências, a estes cavalheiros, sem ofensa para os cavalheiros.
É o país que temos…

23 maio 2008

Portugal é o país mais pobre e desigual da UE

"Nobre e altivo Portugal
Foste outrora o mais valente
Hoje tão pobre e doente,
Império feito hospital
Saquearam-te o metal,
Altos senhores de cartola,
Partiu a doirada mola
À chave do teu dinheiro,
à porta do estrangeiro
Bates, pedindo esmola.

Manuel Alves (poeta-cavador)

"Com teu Divino poder;
Meu Deus! se a gente merece,

Só tu nos podes valer
Grita o povo em alta prece"

...

"Mas p'lo mundo a passear
Há gatunos de bom preço
Bem fazem por disfarçar
Mas há muitos que eu conheço!..."

M. Rita Bexiga (poeta-mecânico)

20 abril 2008

Crise?

Crise na construção civil? Onde? Não é no Porto nem em Matosinhos, do Oeste a Este...
Para onde quer que me vire encontro estes monstros...

24 fevereiro 2008

Falta de educação da Ministra da Educação

Este mês a ministra da educação foi à Assembleia da República e alguns deputados do PS questionaram-na sobre algumas das suas políticas da educação.Confrontada com essas dúvidas o que faz a ministra não responde mas acusa os deputados de, ao colocarem dúvidas, estarem a dar voz aos "professorzecos"...

Esta notícia foi publicada no Público, mas passou praticamente despercebida, divulguem-na para que se perceba o calibre desta ministra.

http://educar.files.wordpress.com/2008/01/ps.jpg

21 fevereiro 2008

Complexidade do simplex


(clique para poder ler)

É assim que se avaliam os professores. Nada mais simples. E é para implementar este ano. "Na educação não temos tempo a perder" - disse o PM. É preciso fazer tudo já. Mal. Mas já.

20 fevereiro 2008

Três anos de maioria absoluta

Espero que seja a última. As maiorias absolutas provocam autismo.

19 fevereiro 2008

Lei 3/2008 de 18 de Janeiro

Artº 22
2 – Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas atinja um número total …, ou, tratando-se exclusivamente de faltas injustificadas, … o dobro de tempos semanais, por disciplina, …, deve realizar-se, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior (convocar aos Pais ou comunicar à Comissão de Protecção de Crianças e jovens), uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite…
3 – Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, … podendo determinar:
a) o cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova.

Quer isto dizer que o falta “porque sim” e castiga-se o professor obrigando-o a elaborar e corrigir uma prova para esse aluno. O aluno que faltou não sabe nada para “obter aprovação” na dita prova. Castiga-se novamente o professor obrigando-o a elaborar um plano de acompanhamento especial e a elaboração e correcção de nova prova.
A lei nada diz sobre uma nova não aprovação na nova prova. Será para continuar assim até às férias do professor? E se muitos alunos forem faltosos, o professor passa a vida a elaborar e corrigir provas. Prejudicam-se os cumpridores.

A isto, esta equipa ministerial chama educação…

18 fevereiro 2008

40 portugueses felizes neste momento

Os 40 professores socialistas que reuniram com Sócrates estão felizes com as palavras ditas, há pouco, pelo PM na SIC.
Demagogia pura de quem não faz a mais remota ideia do que passa nas escolas. A última vez que "viveu" uma escola, esta não era nada (absolutamente nada) do que é hoje.
Talvez um dia destes tenha tempo para comentar este logro.

31 janeiro 2008

Ditadura por ditadura...

... preferia a outra. Já era professora, casada e estava grávida da terceira filha quando se deu o 25 de Abril. Sei, portanto, do que falo. A outra ditadura era assumida e cada um sabia com o que contava. Por outro lado, o outro ditador nunca se aproveitou do dinheiro dos nossos impostos para proveito próprio nem deixou que outros o fizessem. Com estes, não só não sabemos o que nos pode acontecer como todos enriquecem à nossa custa.
Vem isto a propósito da notícia que a SIC deu hoje no Jornal da Noite acerca do que aconteceu aos técnicos superiores da CCDR Centro que "tiveram a ousadia" de dar um parecer desfavorável ao traçado do TGV Alcobaça-Pombal. Uma vergonha que eu conheço desde o início porque um dos técnicos "saneado" é da minha família. Não só foi imediatamente afastado da Comissão de Estudo de Impacte Ambiental do TGV (logo antes da reunião onde ia apresentar o parecer), como já foi excluído de todo e qualquer estudo de Impacte Ambiental, área onde sempre trabalhou.
O Vice-presidente da CCDR Centro, Henrique Moura Maia, meteu os pés pelas mãos na tentativa frustrada de justificar o injustificável e, quando a SIC lhe perguntou o motivo pelo qual os técnicos foram afastados, respondeu com a mentira mais aceitável. "Questão de gestão interna". Este Senhor, Engenheiro Electrotécnico, elaborou, logo na altura, novo parecer favorável, que obviamente, foi aceite e serve agora para justificar as escolhas que estavam já tomadas.
Só me surge um comentário a esta situação toda - um nojo.
É esta a ditadura que temos. Quando se quer um parecer favorável, pede-se a quem o faça independentemente das suas qualificações para tal. O que interessa é que se faça, de uma maneira que pareça legal, tudo o que o grande chefe quer.
É por estas situações e por outras semelhantes, que o ambiente de trabalho em qualquer sector da função pública é, neste momento, de cortar à faca. E é, neste ambiente, que os donos do poder pedem a propalada produtividade.
Que Santa Bárbara os leve para onde não façam prejuízo, como se dizia antigamente a propósito das trovoadas.

25 janeiro 2008

Desassossego

Não simpatizo mesmo nada com o bastonário da Ordem dos Advogados. Mas o que ele veio dizer alto não é nem mais nem menos que aquilo que todos dizemos, que todos sabemos e que todos vemos. Nas autarquias, nas empresas onde são colocados os ex-ministros, nas obras públicas, e por aí fora. Só que a voz dele tem peso. O que me irrita é o desassossego com que os políticos ouviram as suas palavras. Como se fosse para eles uma novidade. Como se não fizessem a mínima ideia do que se passa. Um Governo que nos incentiva a “fazer queixa”, diz agora que é preciso que Marinho Pinto faça prova. Quando se mexe nos políticos, tudo é diferente. Até justifica reformas, como aconteceu com a da Justiça.
Correia de Campos continua a fazer os seus remendos da Saúde. Não é uma reforma porque ninguém conhece os objectivos, possivelmente nem o próprio Ministro. Os problemas graves sucedem-se mas como as vítimas não são políticos, é como se não existissem. São vítimas pontuais. Como se pode lidar assim com seres humanos com sentimentos, com família, com vida própria, com direitos e, ao fim do dia, deitar a cabeça na almofada e dormir.
Estofo de políticos…

15 janeiro 2008

Desassossego

Neste desassossego vou exprimir por palavras a minha relação com as políticas que há 35 anos me andam a desassossegar.
O Inimigo Público disse, há dias, o que não aconteceu mas podia ter acontecido. Agora já aconteceu. O novo site do BCP é, a partir de hoje www.millenniumbcp.gov.pt. Sócrates já é dono de um banco privado.
Não tenho nada contra Cadilhe e Bagão Felix. Tenho-os como competentes e sérios. O mesmo não digo de Vara e do emergente Joe. Dos outros actores desta novela nojenta e inqualificável nem falo. O que todos eles querem, sei eu... (como dizia o anúncio). Mas detesto que me tomem por lorpa e os políticos, ou os pretendentes a tal, teimam em fazê-lo. É na Educação, na Saúde, na Justiça, no Ambiente,... e agora na Banca.
Chega! Estou farta!
Toda esta política é de sargeta, como dizia o outro. Claro que toda esta novela é política. Não é por acaso que Vitor Constâncio só agora se preocupou com o BCP. Não é por acaso que aparece o nome de Santos Ferreira como não é por acaso que Vara continua a singrar na vida. Nada é por acaso. Tudo correu como o planeado pelo grande chefe e agora o Estado tem dois bancos. No BCP não contem com um tostão de meu. Tive lá dinheiro até ao dia em que fui maltratada. Nenhuma empresa me maltrata duas vezes, desde que haja alternativa. E, em bancos, há dezenas de alternativas. Quanto à CGD, estou a tratar de cortar relações também. Ele há tanta instituição bancária!...
E por que carga de água um suspeito, que pode vir, ou não, a ser arguido, não pode fazer parte da Administração de um Banco privado (presume-se culpado) mas pode ocupar qualquer cargo político (presume-se inocente)?
Razão tinha o meu sábio Pai que dizia que só acreditava em democracia quando lhe provassem que num cesto com dez laranjas, nove podres e uma sã, as nove podres valem mais do que a sã.
Não perdoo a D. Afonso Henriques.

11 janeiro 2008

Há sempre quem tenha razões para dizer VIVA!

Um menino regressa da escola cansado e faminto e pergunta à mãe:
- Mãe, que há para comer?
- Nada, meu filho.
O menino olha para o papagaio, que têm na gaiola, e pergunta:
- Mãe, porque não faz arroz de papagaio?
- Porque não há arroz.
- E papagaio no forno?
- Não há gás.
- E papagaio no grelhador eléctrico?
- Não há electricidade.

- E papagaio frito, mãe?
- Não há azeite, meu filho.
E o papagaio, feliz, gritou:
- Viva o Sócrates!!! Viva o Sócrates!!!

02 janeiro 2008

Valha-nos Santo António!

Neste começo de ano, eu e tantos portugueses gostaríamos que os nossos governantes tivessem mais juízo. Mas Deus e os Seus Santos assim não o quiseram. As idiotices já começaram. Só falo de uma delas. Porque lhe achei piada. Não tenciono perder tempo com esta gente.
Maria de Lourdes Rodrigues não está preocupada com o sucesso educativo, nem com o logro que está a ser a implementação das Novas Oportunidades, nem com a enorme desmotivação que ela própria criou na classe docente, nem com a aberração que foi/é o acesso a professor titular, nem com a violência nas escolas, nem com as condições físicas das mesmas, nem com os diminutos conhecimentos com que os alunos terminam os seus estudos, nem com a estupidez que são os programas curriculares, nem com tanta e tanta coisa que vai muito mal na Educação. A preocupação desta senhora é com o nome das escolas.
Questionei-me. Será causa de tanta miséria na educação uma escola ter um nome de um santo? Causará traumas à comunidade em que se insere essa escola? Ou aos próprios alunos? Trará problemas para as contas públicas? E que fazer com a escola Padre Benjamim Salgado ou Padre Martins Capela? Não são santos mas são padres. Até podem vir a ser santos... E a Escola da Sé, como fica?
Apesar de tantas dúvidas, encontrei a justificação. Correia de Campos precisa dos santos todos para o novo hospital da capital que ele já anunciou com pompa e circunstância, como é da praxe. O Hospital de Todos os Santos.
Mas não temos com que nos preocupar. A Escola de S. Pedro será sempre a Escola de S. Pedro, a de S. Pedro da Cova será sempre a de S. Pedro da Cova e a de Santa Maria Maior será sempre a de Santa Maria Maior, apenas como exemplos.
Lembrei-me logo dos tempos do PREC em que a ponte Salazar foi renomeada como se Salazar deixasse de fazer parte da nossa história por isso e não tivesse sido no tempo dele que a dita ponte foi construída.
Valha-nos Santo António!

05 outubro 2007

5 de Outubro

Cândido dos Reis, próximo da Carbonária, foi, como almirante republicano, o estratega militar do 5 de Outubro. Suicidou-se na madrugada do dia 4, pensando que a revolução abortara.
Na madrugada do dia 5 de Outubro, Paiva Couceiro leva as suas tropas para o Jardim de Torel.
Na manhã do dia 5 de Outubro de 1910, José Relvas proclamou, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a República em Portugal. D. Manuel II e a sua família partiram para o exílio, onde o Rei morreu em 1932.
Teófilo Braga, foi presidente do Governo Provisório Republicano até às eleições, onde foi eleito Manuel de Arriaga, como primeiro Presidente de Portugal. Desiludido abandonou o cargo em 1915. Morreu dois anos depois.
Teófilo Braga foi, em 1915, eleito segundo Presidente da República.


Em 5 de Outubro de 2007, realizaram-se, como sempre, as comemorações da implantação da República. Cavaco Silva falou e, a meu ver, muito bem. Bem pelo conteúdo e bem pelo bom português que usou. Não disse “tratam-se de escolas …", como o Presidente da Câmara de Lisboa nem a maioria dos professores foram colocados…” como a Ministra da Educação. É tão bom ouvir falar a minha língua correctamente!
Também como sempre, o Governo considerou as palavras do Presidente da República como um apoio às suas políticas educativas e a Oposição como um reparo às mesmas políticas educativas. À portuguesa…

01 outubro 2007

Tudo condiz

Ouvi nas notícias. Ninguém me contou. O final de um julgamento mediático. Uma advogada, das pessoas que começa por "É assim" (o suficiente para me tirar do sério...), diz para as câmaras do canal televisivo "... provas que a defesa entendeu ser pertinentes...", e continua alegando que, quanto ao recurso, "se se provar ser pertinente, nós falemoemos" (nem sei como isto se escreverá!). Não é faremo-lo. Outra asneira, Muito menos o correcto fá-lo-emos. Pensei ter ouvido mal. Esperei uma hora e voltei ao mesmo canal. Não havia dúvidas. Foi exactamente o que disse a Senhora.
A classe dos advogados, que grassa na política, nomeadamente na Assembleia da República, é esta. A da mediocridade. Com esta gente, não admira que as novas leis sejam o que são. Condiz...

16 agosto 2007

Caro esquartejamento!

Neste último ano, e por motivos profissionais, apercebi-me de uma situação perfeitamente escandalosa. O país está perfeitamente esquartejado em “quintas” que são Concelhos e que se dividem em pequenos “quintais” que são as Freguesias. As quintas e cada um desses quintais custam a todos nós uma quantidade de dinheiro perfeitamente evitável. Refiro-me especificamente à região Norte onde habito e trabalho.
Deixo aqui, e apenas como exemplo, o caso concreto do Concelho de Vizela que tem, no total 24 km2, ou seja o equivalente a um quadrado de 4,9 km de lado. Habitam aqui 22.595 portugueses dos quais 16.460 são eleitores. Em todo esse concelho há duas escolas com 2º e 3º ciclos do ensino básico e uma escola com ensino secundário. Há, obviamente, um Presidente da Câmara, um Vice-presidente e não sei quantos vereadores.

Esse pedacinho de Portugal está dividido em sete (7) freguesias.
Santa Eulália – 5,4 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 3584 habitantes sendo 5200 eleitores
S. Miguel – 5,2 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 6280 habitantes sendo 5022 eleitores
Santo Adrião – 3,5 km2, equivalente a um quadrado com 1,8 km de lado. 2460 habitantes sendo 1847 eleitores
S. Paio – 2,3 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1394 habitantes sendo 1152 eleitores
Tagilde – 2,7 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1777 habitantes sendo 1229 eleitores
Infias – 1,9 km2, equivalente a um quadrado de 1,4 km de lado. 1765 habitantes sendo 1441 eleitores
S. João – 2,9 km2, equivalente a um quadrado com 1,7 km de lado. 3719 habitantes sendo 3432 eleitores.

Todos estes “quintais” custam-nos mensalmente, uma renda do edifício da Junta de Freguesia bem como água, luz, telefone, Internet, etc. para a sua manutenção, o ordenado do Presidente da Junta bem como os ordenados de todos os funcionários dessa mesma Junta. Acrescente-se o edifício da Câmara Minicipal e tudo quanto a faz "mover", o ordenado do Presidente da Câmara, do Vice-presidente, dos vereadores e todos os funcionários que lá trabalham.

Considerando que isto se passa num Concelho da zona Norte e que todo o país está esquartejado desta maneira, no global estamos a falar de quantias astronómicas e de um número incontável de funcionários públicos.
Será que um país pequenino e pobre, como o nosso, precisa de ser transformado num puzzle com peças deste tamanho? Que interesses estão por trás desta situação?
Isto merecia ser investigado ao pormenor para que todos os portugueses pudessem saber o número de funcionários públicos que trabalham em cargos políticos, directa ou indirectamente. É que se fala muito do número excessivo de funcionários públicos e, certamente, em funções políticas, ou a ela ligadas, haverá muitos.
Era um serviço público que a comunicação social nos podia prestar.

06 abril 2007

No país das cerejas

O texto que se segue, publicado num jornal diário em 15 de Junho de 2003, foi escrito por um Senhor de Portalegre a quem eu peço licença para divulgar dada a sua actualidade, pelo menos neste país.

"A cereja é um apreciado e bonito fruto que, para mim, sempre teve alguns senãos. Tem caroço, um tanto desproporcional relativamente ao tamanho da parte comestível, nem sempre é doce, às vezes está podre e muitas têm bicho. Para os que a produzem é de difícil e até perigosa apanha, é muito sujeita às intempéries e tem o que se chama “anos maus”, que, infelizmente, pelas queixas que sempre tenho ouvido, me parece serem praticamente todos.
Mas, esquecidos os senãos, a cereja é, de longe, o fruto que mais admiro e tudo porque tem o tipo de pé que tem, que a une a uma ou mais companheiras que também o possuam. Vivem ligadas pelos respectivos pés, regra geral, aos pares.
A cereja é um fruto que, através do pé, compartilha a sua vida, e que, depois de colhida, intensifica essa sua faceta social emaranhando-se, sempre pelo pé, com todas as outras que também foram apanhadas.
Quase tão sociais como as cerejas, só conheço os morangos e os abacaxis, que vivem, muito apertadinhos em aquénios, e as bananas e as uvas que habitam mais desafogadamente em cachos, quase nada ou pouco se tocando. Todos estes, todavia, vivem em clãs isolados afastados dos demais.
Se os portugueses fossem fruta e eu fosse um agente policial interessado, para exponenciar a minha eficiência, gostaria que todos eles fossem cerejas, mas cerejas com pé. Tinha a vida facilitada e acabavam, em breve, todas as associações de malfeitores, por mais secretas e mafiosas que fossem.
Dou dois ou três exemplos para que entendam as razões dessa minha aparentemente estranha escolha.
Suponhamos que temos um cesto cheio de portugueses que tendo passado do reino animal ao vegetal, se tornaram cerejas sem terem perdido o pé. Peguem numa delas, que sabem que leva uma vida inexplicavelmente flauteada. Vêem, imediatamente, que a maior parte das suas congéneres, isto é, com pés homólogos, vem agarrada entre si e que o cesto fica, pode-se dizer, vazio.
Voltem a pôr todas no cesto, bem misturadas com as que lá tinham restado. Agarrem agora noutra de uma que tem um BM dos grandes e não paga um cêntimo ao fisco. A cesta leva um desbaste e, praticamente, ficam lá só, muito espremidos entre si, mas isolados, os cachos e os aquénios.
Continuem com outros exercícios, voltando, no fim da cada um, sempre a meter tudo no cesto sem nunca esquecerem de previamente misturar muito bem. Peguem, por exemplo, numa cereja pedófila, numa cabecilha da droga, noutra que gostava de ter nascido no Brasil, etc, etc.
Vão ver que o cesto, em todos os casos, quase se esvazia e que uma meia dúzia delas, teimosamente, apesar de terem pé, nunca de lá sai. Se repararem mais atentamente, notarão que essa meia dúzia é sempre a mesma, que anda obrigada a pagar os seus impostos e a fazer tudo para sempre ser mirrada, azeda, bichosa e, fundamentalmente sem pé, para nunca ser apanhada nem ainda mais comida."

08 março 2007

Anémona gigante

(Imagem da página de Janet Echelman)
Os problemas ambientais que afligem, ou deviam afligir, todos os habitantes do planeta, também se verificam, e de que maneira, em Portugal. Pedem-nos, e bem, para utilizarmos os transportes públicos. E que condições nos dão para os utilizarmos?
Na estação de Metro da Senhora da Hora confluem 4 linhas: Senhor de Matosinhos, Aeroporto, ISMAI e Póvoa de Varzim. O parque de estacionamento que lá foi construído dá para meia dúzia de carros. Todos os dias utilizo o metro. Vejo-me grega para arranjar, nas imediações da estação, um lugar para deixar o meu carro. Os matosinhenses, que têm que ir de carro até à dita estação, têm duas alternativas. Ou desistem de dar voltas à procura de um sítio permitido e vão nos seus carros para o emprego, ou deixam o carro mal estacionado.
Simultaneamente, em 2004, a Câmara de Matosinhos gastou 800 mil euros, dos nossos dinheiros, para mandar executar uma “instalação” na Praça Cidade S. Salvador da autoria da norte-americana Janet Echelman . Não está em causa gostar-se, ou não, da dita anémona gigante que, aliás, já quase não tem cor e está a desfazer-se. A questão é que aquele “lindo” não contribui minimamente para a resolução dos problemas dos matosinhenses. Mais valia ajardinar a Praça e ter investido o dinheiro na construção de um parque de estacionamento que resolvesse os problemas de quem quer andar de metro.
Os nossos autarcas estão muito mais preocupados em deixar obra “p’ra inglês ver”, do que na qualidade de vida daqueles que dizem representar. E os portugueses não são suficientemente inteligentes para, nas eleições, ver que as palavras com que os políticos enchem a boca não passam disso mesmo. Palavras.

27 fevereiro 2007

Em que país eu vivo?!

É o caso do Ministério da Justiça que não paga à Caixa Geral de Aposentações os descontos dos seus funcionários que pagam a factura não recebendo as pensões a tinham direito.
É a corrupção total nas autarquias, na Moderna, na Independente, no futebol, e por aí fora. E o que conhece é um milionésimo da lama em que vivemos.
Andamos a apertar o cinto (sempre os mesmos) há anos e anos e o que poupa ninguém sabe onde está…
O Governo faz tudo o que quer e diz que o faz por Portugal e pelos portugueses.
Ditadura por ditadura prefiro a do Salazar.
A minha gratidão eterna ao Salazar pelo facto de ter estado 40 anos no Governo e nunca se ter aproveitado, nem deixado ninguém aproveitar, do dinheiro dos meus impostos em proveito próprio. O mesmo não posso dizer dos políticos do pós 25 de Abril. Enquanto durou, viveram da pesada herança. Depois, passaram a viver do pouco que temos nos bolsos. É tão fácil ser milionário assim! E a quem é milionário, os aumentos dos impostos são uma gorjeta.
Definitivamente nasci no tempo ou no espaço errado.
Não perdoo ao D. Afonso Henriques o ter lutado contra a Mãe e, ainda por cima, ter ganho a Batalha de S. Mamede.

19 fevereiro 2007

E o povo paga...

O "rei" da Madeira resolveu demitir-se para ser eleito outra vez. Já não basta o que o Governo nos rouba! Agora o Alberto João faz uma birra e o povo é que vai pagá-la.
Definitivamente nasci no sítio errado ou no tempo errado...