Tive que ir hoje a um centro comercial e respectivo hipermercado. No meu percurso, que não foi grande, cruzei-me com grupos de jovens em pijama e chinelos. Demorei uns segundos para entender aquela palhaçada mas logo percebi que estamos no início de um ano lectivo. Os alunos do superior têm o poder na mão. E usam-no contra os seus colegas caloiros. Caloiros que não são suficientemente adultos para dizer não à estupidez da praxe. O meu sistema nervoso deu logo sinal. Detesto praxes. Detesto praxistas. Detesto carneiradas de caloiros. Detesto que me digam que a finalidade da selvajaria da praxe é a inserção dos jovens alunos.
A praxe foi uma tradição coimbrã, quando Coimbra era uma pequena cidade estudantil. Tudo o resto eram toscas imitações. Hoje em dia a praxe está deslocada, não tem qualquer justificação, é estúpida e selvagem. Não há razão de espécie alguma que justifique a humilhação de pessoas. Pôr os caloiros a quatro, feitos animais, a dizer obscenidades, colocar-lhes bosta na cara, obrigá-los a tirar a roupa ou a simular actos sexuais, mergulhá-los em tanques públicos são algumas das idiotices que os alunos mais velhos têm feito aos caloiros. Mais grave. Fazem-no com orgulho e ainda acham graça. Tudo isto se passa perante o silêncio de toda uma sociedade Eu tenho feito o que posso. Mostro aos jovens, que me vão passando pela mão, que dizer não a idiotices é sinal de maturidade. E vou escrevendo a minha indignação...
E o mais grave disto tudo é que estes “líderes” estudantis vão ser os futuros deputados, presidentes de Câmara, primeiros-ministros e presidentes da República. Veja-se os curricula dos que lá estão agora. E que vão usar o poder com a mesma sem vergonha com que o fizeram com os seus colegas caloiros.
Mas isto é como as touradas. Há quem goste…