"Dispomos de todas as possibilidades, da mais absoluta liberdade de escolha. Como num livro, onde cada letra permanece para sempre na página, a nossa consciência tem o direito de decidir o que quer ler e o que prefere deixar de parte." (Richard Bach)
03 abril 2008
02 abril 2008
Peço desculpa
Hoje lembrei-me das palavras que um Senhor, A.S.S. de Espinho, escreveu num jornal diário em 2001. Porque as subscrevo e porque se mantêm actuais, aqui as deixo. O título era exctamente o que aqui coloco.
"Peço desculpa por ser um cidadão normal, cumpridor e respeitador das leis e dos costumes. Não sou homossexual, transsexual, bissexual, prostituto ou marginal. Não pratico sexo de risco e (também) por isso não tenho sida. Não fumo charros, não me injecto e não necessito de frequentar clínicas de recuperação de drogados e dar cabo de mim, da minha família e do mundo que conheço. Ando devagar, sempre de cinto colocado, paro nos semáforos e não acelero no amarelo, nem me atiro sobre quem passa nas passadeiras. Bebo apenas o álcool que posso suportar com absoluta lucidez, não fumo, a não ser por brincadeira, não tomo antidepressivos, anabolizantes, euforizantes ou afins. Pago a totalidade dos meus impostos, respeito o princípio da autoridade e a própria, embora me apetecesse torcer o pescoço de alguns agentes da dita, e cumpro as decisões de quem dependo profissionalmente, mas às vezes não me apetecia.
Sou casado, tenho dois filhos e uma família funcional e feliz. Amo os meus pais e sinto que lhes devo quase tudo o que sou. E tento aceitar os outros como são, embora, por vezes isso seja difícil, doloroso e penoso.
Não pratico crimes de qualquer natureza, e muito menos de colarinho branco. Nunca passei facturas falsas nem nunca utilizei o dinheiro de outros em meu proveito. Não me meto em, nem armo, confusões ou desacatos em público ou em privado, sou conciliador e acredito nas virtudes da razão.
Nunca fiz uma viagem fantasma, e, as poucas que fiz, paguei-as do meu bolso. Exerço sempre o meu dever cívico de votar e finjo acreditar que isso mudará algo. Nunca participei num desses concursos imbecis da televisão, nem vegetei na “casa mais conhecida do país”.
Nem sempre tenho razão e engano-me muitas vezes… E tento ler (muito), embora seja selectivo nas leituras que faço. E quero valorizar-me e aprender um pouco mais e melhor que o que me ensina a insuportável indigência intelectual e moral que se vê, que se sente e que se respira todos os dias e por todo o lado.
Sinto-me quase sozinho, mas sei que o não estou. Entretanto, peço desculpa pelo que sou."
"Peço desculpa por ser um cidadão normal, cumpridor e respeitador das leis e dos costumes. Não sou homossexual, transsexual, bissexual, prostituto ou marginal. Não pratico sexo de risco e (também) por isso não tenho sida. Não fumo charros, não me injecto e não necessito de frequentar clínicas de recuperação de drogados e dar cabo de mim, da minha família e do mundo que conheço. Ando devagar, sempre de cinto colocado, paro nos semáforos e não acelero no amarelo, nem me atiro sobre quem passa nas passadeiras. Bebo apenas o álcool que posso suportar com absoluta lucidez, não fumo, a não ser por brincadeira, não tomo antidepressivos, anabolizantes, euforizantes ou afins. Pago a totalidade dos meus impostos, respeito o princípio da autoridade e a própria, embora me apetecesse torcer o pescoço de alguns agentes da dita, e cumpro as decisões de quem dependo profissionalmente, mas às vezes não me apetecia.
Sou casado, tenho dois filhos e uma família funcional e feliz. Amo os meus pais e sinto que lhes devo quase tudo o que sou. E tento aceitar os outros como são, embora, por vezes isso seja difícil, doloroso e penoso.
Não pratico crimes de qualquer natureza, e muito menos de colarinho branco. Nunca passei facturas falsas nem nunca utilizei o dinheiro de outros em meu proveito. Não me meto em, nem armo, confusões ou desacatos em público ou em privado, sou conciliador e acredito nas virtudes da razão.
Nunca fiz uma viagem fantasma, e, as poucas que fiz, paguei-as do meu bolso. Exerço sempre o meu dever cívico de votar e finjo acreditar que isso mudará algo. Nunca participei num desses concursos imbecis da televisão, nem vegetei na “casa mais conhecida do país”.
Nem sempre tenho razão e engano-me muitas vezes… E tento ler (muito), embora seja selectivo nas leituras que faço. E quero valorizar-me e aprender um pouco mais e melhor que o que me ensina a insuportável indigência intelectual e moral que se vê, que se sente e que se respira todos os dias e por todo o lado.
Sinto-me quase sozinho, mas sei que o não estou. Entretanto, peço desculpa pelo que sou."
01 abril 2008
31 março 2008
30 março 2008
29 março 2008
Na idade dos porquês
Professor diz-me
porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?
Professor diz-me
porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda
gira
rodopia
e cai morto no chão...
Tenho nove anos
professor
e há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!
Tu falas, falas
professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.
É a luta
professor
a luta em vez de amor.
Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes
professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.
Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...
E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições...
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições...
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias.
Alice Gomes (1946)
porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?
Professor diz-me
porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda
gira
rodopia
e cai morto no chão...
Tenho nove anos
professor
e há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!
Tu falas, falas
professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.
É a luta
professor
a luta em vez de amor.
Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes
professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.
Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...
E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições...
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições...
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias.
Alice Gomes (1946)
28 março 2008
27 março 2008
26 março 2008
25 março 2008
20 março 2008
Boa Páscoa
Com este texto interessante dos Barões da Sé de Viseu desejo a todos uma Boa Páscoa.
"A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera (20 de Março).
Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano.
Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (mais velhos do que 95 anos!).
1) A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (daqui a 220 anos).
A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913.
2) Na próxima vez que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março,
será no ano 2285 (daqui a 277 anos).
A última vez que foi em 22 de Março foi em 1818. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano."
E, já agora, sirvam-se de uma amêndoa...
"A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera (20 de Março).
Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano.
Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (mais velhos do que 95 anos!).
1) A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (daqui a 220 anos).
A última vez que a Páscoa foi assim cedo foi em 1913.
2) Na próxima vez que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março,
será no ano 2285 (daqui a 277 anos).
A última vez que foi em 22 de Março foi em 1818. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano."
E, já agora, sirvam-se de uma amêndoa...
19 março 2008
Parabéns Martim!
O Martim faz hoje 10 anos. Quando lhe disse que entrava nos dois algarismos e que agora era até ao fim da vida, ele respondeu-me que quando fizesse 100 já teria três algarismos. Calou-me...
Até Maio não tenho mais netos a fazer anos...
18 março 2008
17 março 2008
14 março 2008
Que há de comum entre Einstein e eu?
13 março 2008
12 março 2008
10 março 2008
09 março 2008
Três meses
Para os que acompanharam a luta do Lourenço, da Teresa e do Paulo aqui ficam notícias.
O nosso Lourenço fez hoje 3 meses embora devesse ter feito 15 dias. Pesa 3,345 kg, está lindo e saudável.
O nosso Lourenço fez hoje 3 meses embora devesse ter feito 15 dias. Pesa 3,345 kg, está lindo e saudável.
08 março 2008
Marcha da indignação
Neste dia 8 de Março saúdo todos os meus colegas que mostraram, em Lisboa, que Maria de Lurdes Rodrigues, nestes anos de Governo. fez uma coisa boa - uniu os professores.
Por motivos de ordem pessoal não me pude deslocar a Lisboa mas o meu espírito esteve lá.
A Ministra, na SIC, desbobinou a cassete do costume como se nada tivesse acontecido. Voltou a passar a mensagem que 100.000 professores são burros porque não entendem o DR 2/2008 e ela é a inteligente que quer o melhor para a Educação.
É mau demais para comentar...
O Artigo 5.º do DL 240/2001 que define o perfil do professor diz:
No exercício das suas funções, os titulares dos cargos previstos no presente diploma estão exclusivamente ao serviço do interesse público, devendo observar no exercício das suas funções os valores fundamentais e princípios da actividade administrativa consagrados na Constituição e na lei, designadamente os da legalidade, justiça e imparcialidade, competência, responsabilidade, proporcionalidade, transparência e boa fé.
Pena que este artigo não conste do perfil dos políticos!
Por motivos de ordem pessoal não me pude deslocar a Lisboa mas o meu espírito esteve lá.
A Ministra, na SIC, desbobinou a cassete do costume como se nada tivesse acontecido. Voltou a passar a mensagem que 100.000 professores são burros porque não entendem o DR 2/2008 e ela é a inteligente que quer o melhor para a Educação.
É mau demais para comentar...
O Artigo 5.º do DL 240/2001 que define o perfil do professor diz:
No exercício das suas funções, os titulares dos cargos previstos no presente diploma estão exclusivamente ao serviço do interesse público, devendo observar no exercício das suas funções os valores fundamentais e princípios da actividade administrativa consagrados na Constituição e na lei, designadamente os da legalidade, justiça e imparcialidade, competência, responsabilidade, proporcionalidade, transparência e boa fé.
Pena que este artigo não conste do perfil dos políticos!
07 março 2008
06 março 2008
03 março 2008
02 março 2008
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