22 outubro 2007

Eu

Fui à água enquanto as temperaturas estão apetecíveis.

20 outubro 2007

Casa de Serralves

Hoje passei o segundo sábado (de três) em Serralves onde estou a frequentar um Workshop de fotografia - "A Arte de Ver".

Num artigo que o formador, António Sá, nos forneceu, Rubem Alves diz: "A diferença se encontra no lugar onde os olhos estão guardados. Se os olhos estão na caixa das ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objectos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo."
Estes sábados têm sido de gozo para os meus olhos.
Hoje deixo-vos uns apontamentos da Casa de Serralves.



19 outubro 2007

O nascer da nossa estrela

Ontem gostei de me levantar e ter esta visão da janela.

16 outubro 2007

Um dia em cheio (IV)

Quero que conheçam António Silva. Tem a sua casa e oficina na zona de Vila Cova, uma freguesia de Barcelos. Possivelmente dedicou toda uma vida à agricultura e, já com bastante idade, resolveu pôr a render o seu talento que é muito. Olha para as coisas e vê. Vê o que maioria não veria. Com o que vê, com os desperdícios, com o que os outros deitam fora, ele faz arte.
A oficina de António Silva é o que podem ver:


Apenas com parafusos e porcas construiu este Cristo que teve a gentileza de ma oferecer.

Com um trinco de porta, dois de janela e os espelhos de fechadura, construiu este outro crucifixo.

Com ferro velho, António Silva faz:
  • presépios

  • carros de bois

  • o cão e a sua casota

  • galos

Um dia ia atrás duma carroça que deixou cair um tronco. Ele viu uma raposa. Apanhou e aí está uma obra.

Fabuloso, não acham?

Um dia em cheio (III)

Enquanto esperamos pelo assado, vamos assar uma linguiça e comer umas azeitonas.
Mas em louça com selo de artesanato certificado.

15 outubro 2007

Um dia em cheio (II)

Os amigos da ETGB levaram-me, ainda, a ver as peças de Mistério, como este Santo António ( um santo que me é particularmente simpático)...

... ou este elemento da banda...

... ou este apito.

Da oficina de Júlia Ramalho (que já tem um filho a trabalhar com ela) veio este cinzeiro.

Vimos ainda as peças de Conceição Sapateiro como este Santo António.

Visitámos, ainda, a oficina de louça artesanal de Manuel Fernandes.
Lá estava a filha a pintar uma assadeira.

Pintava com mão firme,

utilizando ferramentas feitas pela família.

E a assadeira ficou pronta para secar, vidrar e levar ao forno.

Um dia em cheio (I)

Uma tendinite nos pulsos têm-me afastado daqui para poupá-los para o estritamente necessário - o trabalho.
Mas hoje não há tendinite que me cale. Duas pessoas maravilhosas, responsáveis pelo que de bom se faz pelos jovens na ETGB, dedicaram-me o seu dia. Fui tratada como uma amiga querida (ia dizer uma rainha, mas foi muito mais do isso). Levaram-me a visitar artesãos da zona de Barcelos. Encheram-me de presentes. Vou tentar partilhar convosco o que vi e as pessoas fantásticas que conheci.
Começámos pela família de Ana Baraça (1904-2001).
O filho de Ana Baraça e os netos no seu posto de trabalho.
O Pai é o responsável pela roda
Na oficina não faltavam os galos de Barcelos...

... o coreto (ainda por pintar) com os músicos, ...

... as profissões (escolhi, obviamente, a sala de aula), ...

... enfim, a terra toda.

09 outubro 2007

Estão aí as praxes

Tive que ir hoje a um centro comercial e respectivo hipermercado. No meu percurso, que não foi grande, cruzei-me com grupos de jovens em pijama e chinelos. Demorei uns segundos para entender aquela palhaçada mas logo percebi que estamos no início de um ano lectivo. Os alunos do superior têm o poder na mão. E usam-no contra os seus colegas caloiros. Caloiros que não são suficientemente adultos para dizer não à estupidez da praxe. O meu sistema nervoso deu logo sinal. Detesto praxes. Detesto praxistas. Detesto carneiradas de caloiros. Detesto que me digam que a finalidade da selvajaria da praxe é a inserção dos jovens alunos.
A praxe foi uma tradição coimbrã, quando Coimbra era uma pequena cidade estudantil. Tudo o resto eram toscas imitações. Hoje em dia a praxe está deslocada, não tem qualquer justificação, é estúpida e selvagem. Não há razão de espécie alguma que justifique a humilhação de pessoas. Pôr os caloiros a quatro, feitos animais, a dizer obscenidades, colocar-lhes bosta na cara, obrigá-los a tirar a roupa ou a simular actos sexuais, mergulhá-los em tanques públicos são algumas das idiotices que os alunos mais velhos têm feito aos caloiros. Mais grave. Fazem-no com orgulho e ainda acham graça. Tudo isto se passa perante o silêncio de toda uma sociedade Eu tenho feito o que posso. Mostro aos jovens, que me vão passando pela mão, que dizer não a idiotices é sinal de maturidade. E vou escrevendo a minha indignação...
E o mais grave disto tudo é que estes “líderes” estudantis vão ser os futuros deputados, presidentes de Câmara, primeiros-ministros e presidentes da República. Veja-se os curricula dos que lá estão agora. E que vão usar o poder com a mesma sem vergonha com que o fizeram com os seus colegas caloiros.
Mas isto é como as touradas. Há quem goste…

08 outubro 2007

Começa em casa

Era o nome de uma das minhas crónicas, publicada em Agosto de 2002. Apeteceu-me publicá-la aqui. Quem tiver a educação como uma preocupação e tiver paciência pode avaliar da actualidade do que eu escrevi há mais de 5 anos.

"Li, há tempos, num jornal diário uma frase de um realismo dramático. “Os professores têm, cada vez mais, à sua frente um conjunto de órfãos de pais vivos.” A formação dos nossos jovens como pessoas, como profissionais e como cidadãos está, em grande parte, na mãos dos educadores. Os educadores por excelência deveriam ser os pais e os professores. Grande responsabilidade para ambos terem nas mãos o desenvolvimento de capacidades, conhecimentos, atitudes e valores nos jovens que serão os homens e as mulheres de amanhã. A família, que devia ser o esteio do jovem, é talvez a instituição básica mais minada. Está em completa desagregação. A tensão da vida de hoje é propícia ao desenvolvimento de conflitos. Não é fácil conseguir disponibilidade para dar atenção, escutar, dialogar. Mas é possível. Sem entendimento e aceitação dos diferentes papeis e funções dos elementos que constituem a família, torna-se difícil o relacionamento entre pais e filhos. A falta de disponibilidade dos pais para darem atenção aos filhos, as famílias monoparentais, os pais divorciados que não sabem gerir com bom senso essa situação, o marido da mãe, a mulher do pai, os meios irmãos,... levam a que, consciente ou inconscientemente, por vezes como uma compensação, se dê às crianças e aos jovens o fruto das conquistas da civilização sem que eles aprendam a dar-lhes o seu real valor.

Com a falta de tempo, ou a desculpa da falta de tempo, muitos pais demitiram-se das suas funções de educadores por excelência. Depositam os filhos, primeiro no infantário, depois no jardim-de-infância e mais tarde no “adolescentário” para que os professores desempenhem, na totalidade, o papel que em grande parte lhes competia. Tarefa esta que deve começar no berço. Na escola já é tarde para a iniciar. A complexidade da vida dos pais de hoje torna difícil a sua tarefa de acompanhamento dos filhos. Mas não a torna impossível. Assim haja vontade. Tão pouca comunicação humana numa época de tão grande informação difundida! Há muita paternidade/maternidade irresponsável. Ter um filho não é pô-lo no mundo e deixar que o mundo lhe incuta valores, o ensine e o insira na sociedade. É preciso abdicar de muita coisa. É preciso alterar hábitos. É preciso estabelecer prioridades. É preciso impor regras. Pelos filhos e pelos próprios pais já que, mais cedo ou mais tarde, eles vão ser vitimas da falta de atenção que deram aos filhos. Em quase todas as famílias, o pai e a mãe trabalham. Se o tempo é pouco, há que aproveitar muito bem esse pouco. Mas é mais fácil, dá menos trabalho, tomar a atitude comodista de deixar os filhos entregues a si mesmos, pondo-lhes ao dispor toda a espécie de entretenimento sem qualquer critério. E pelo comodismo dos pais está a pôr-se em risco o futuro dos filhos.

Fala-se agora muito em responsabilizar os pais. Como se faz isso? Com uma repreensão escrita? Um castigo? Uma multa? Uma queixa na polícia? Os governantes enchem a boca com “responsabilizar os pais” mas não dizem como. Considero que os pais ou são responsáveis ou não são e ponto final. Como os professores. Ou são responsáveis ou não são e ponto final. Como os políticos. Como os advogados. Como os empreiteiros... como todo e qualquer profissional deste país. Um país onde grassa a irresponsabilidade. Onde nunca ninguém foi sancionada por não ser responsável. Onde o responsável leva o carimbo de lorpa. Enquanto tivermos a sociedade que temos, não vislumbro solução para o problema. Os jovens de hoje têm os pais na geração do pós 25 de Abril. Uma geração que teve uma educação/formação deficiente. São hoje os jovens adultos cujos filhos têm, na melhor das hipóteses, a formação que eles tiveram.

Os jovens chegam às mãos dos professores numa etapa da vida que será decisiva para o seu futuro pessoal e profissional. Jovens sedentos de atenção e carinho que, muitas vezes, procuram no professor. Em determinados professores. Porque nem todos os professores, infelizmente, estão dispostos a dar aos alunos tratamento de filhos. Os jovens querem do professor aquilo que as famílias lhes não dão. Muitos professores são, quer queiram ou não, um substituto dos pais. Deviam estar preparados, querer, e ter condições, para exercer mais esse papel. Lidar com jovens nem sempre é fácil mas há professores privilegiados que nasceram com o dom de tornar quase tudo fácil nesse relacionamento. E que se esforçam por pôr a render esse dom que lhes foi concedido.

É bom que os pais sejam exigentes com a escola. Ela deve cumprir convenientemente o seu papel. Mas a escola não é tudo. 'Quem julgar que a escola resolve todos os problemas da sociedade moderna, comete um erro enorme. Enorme. A escola é apenas um dos elementos com que podemos contar, e como há escolas boas, há escolas más, jornais bons e maus, televisões boas e más. Não se queira, quando há um problema, responsabilizar a escola. E os pais?' ( Marçal Grilo). Os pais têm que ter um papel na educação dos seus filhos. Não têm moral para exigir da escola quando não são exigentes consigo próprios enquanto pais.

Que bom seria se houvesse diálogo entre pais e filhos! Bom para os filhos, para os pais e para os professores. E, mais tarde, para a sociedade e para o país. A maioria dos jovens que têm uma família que os ame, e acompanhe o seu desenvolvimento, têm poucos problemas na escolaridade. O sucesso escolar começa em casa."

Este país

Olho para o céu. Não quero olhar para baixo. Não quero ver este país. Não é o país onde nasci e cresci. Para que me serve tudo o que os meus Pais, a minha avó, as minhas professoras,… me ensinaram? Ou estou no tempo errado ou no sítio errado.

Prémio de visitante

A ka entendeu atribuir-me, por este blog, o prémio de visitante.

"A amizade e a solidariedade na blogosfera são algo de muito profundo e de muito construtivo que temos que desenvolver. Criam-se representações de pessoas que não conhecemos mas que nos deixam o melhor do seu sentir enriquecendo um espaço de debate com as suas visões e as suas críticas. As diferenças de opinião têm sido respeitadas e, não raras vezes, tenho reflectido e corrigido algumas posições.Nada tem valor se não for lido e partilhado. E porque os visitantes são o que de melhor há, criei este prémio de visitante, que é mais alargado que os outros em termos numéricos mas que , mesmo assim, não contempla todos os que merecem." Palavras da Silêncio Culpado

Tudo o que o texto expressa é de uma responsabilidade grande pelo que só posso agradecer à ka a amizade. É esta amizade que justifica o entender da ka. Dona de um blog que eu gosto de visitar e onde vejo inteligência e sensibilidade. Obrigada ka. Não vais levar a mal que eu não faça nomeações. A minha lista de visitantes identificados não é comparável à tua...

Não posso, no entanto, deixar de manifestar a minha total concordância com a atribuição do prémio Blog Solidário à Liliana. O blog da Liliana é, sem dúvida, merecedor desse galardão.

06 outubro 2007

Para um lado e para o outro

Enquanto não encherem esta zona de prédios, a entrada em Vila do Conde é muito bonita. Vamos ver por quanto tempo!

05 outubro 2007

5 de Outubro

Cândido dos Reis, próximo da Carbonária, foi, como almirante republicano, o estratega militar do 5 de Outubro. Suicidou-se na madrugada do dia 4, pensando que a revolução abortara.
Na madrugada do dia 5 de Outubro, Paiva Couceiro leva as suas tropas para o Jardim de Torel.
Na manhã do dia 5 de Outubro de 1910, José Relvas proclamou, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a República em Portugal. D. Manuel II e a sua família partiram para o exílio, onde o Rei morreu em 1932.
Teófilo Braga, foi presidente do Governo Provisório Republicano até às eleições, onde foi eleito Manuel de Arriaga, como primeiro Presidente de Portugal. Desiludido abandonou o cargo em 1915. Morreu dois anos depois.
Teófilo Braga foi, em 1915, eleito segundo Presidente da República.


Em 5 de Outubro de 2007, realizaram-se, como sempre, as comemorações da implantação da República. Cavaco Silva falou e, a meu ver, muito bem. Bem pelo conteúdo e bem pelo bom português que usou. Não disse “tratam-se de escolas …", como o Presidente da Câmara de Lisboa nem a maioria dos professores foram colocados…” como a Ministra da Educação. É tão bom ouvir falar a minha língua correctamente!
Também como sempre, o Governo considerou as palavras do Presidente da República como um apoio às suas políticas educativas e a Oposição como um reparo às mesmas políticas educativas. À portuguesa…

02 outubro 2007

Restos do Verão

Minho maravilhoso

01 outubro 2007

Tudo condiz

Ouvi nas notícias. Ninguém me contou. O final de um julgamento mediático. Uma advogada, das pessoas que começa por "É assim" (o suficiente para me tirar do sério...), diz para as câmaras do canal televisivo "... provas que a defesa entendeu ser pertinentes...", e continua alegando que, quanto ao recurso, "se se provar ser pertinente, nós falemoemos" (nem sei como isto se escreverá!). Não é faremo-lo. Outra asneira, Muito menos o correcto fá-lo-emos. Pensei ter ouvido mal. Esperei uma hora e voltei ao mesmo canal. Não havia dúvidas. Foi exactamente o que disse a Senhora.
A classe dos advogados, que grassa na política, nomeadamente na Assembleia da República, é esta. A da mediocridade. Com esta gente, não admira que as novas leis sejam o que são. Condiz...

Dia Mundial da Música

Hoje, dia Mundial da Música, é o dia certo para lembrar, os que sabem, e informar, os outros, de que nos dias 29, 30 e 31 deste mês de Outubro, se realiza a Conferência Nacional de Educação Artística, na Casa da Música, no Porto. A equipa que, há meses, está a preparar este evento, merece toda a minha consideração e conta connosco. Veja tudo sobre a Conferência e inscreva-se aqui.

Candeeiro (24)

Bebi hoje um sumo numa esplanada de Vila do Conde com vista para esta zona do jardim. Apreciei este candeeiro. A meu ver, muito bem inserido neste verde. E é mesmo muito verde. A perder de vista.

28 setembro 2007

Candeeiro (23)

O inferno do trânsito. Tentei regressar a casa pelo caminho habitual. O engarrafamento era de tal ordem que alterei o meu percurso. Vim pela Av. Brasil. Felizmente. Também havia trânsito mas as paragens deram para tirar umas fotografias pela janela do carro.
Um candeeiro dos antigos que, para gáudio meu, sobreviveu ao desbaste que vitimou tantos deles na Foz do Douro. Ao longe o mar a fazer frontreira com um céu que mostra que o tempo vai mesmo mudar.

27 setembro 2007

Um pouco de cor...

... da Ponte da Barca.

26 setembro 2007

Poetas populares

Nos mais de 1000 livros que já limpei e inventariei, encontrei estes quatro volumes de "Poetas Populares". É um trabalho de compilação que o Dr. Fernando Cardoso elaborou na década de 70 e onde apresenta a poesia de barbeiros, calafates, ardinas, calceteiros, etc.
Aqui ficam, do 1º volume, uns pedacinhos esparsos ...

... de António Aleixo (1899-1949) - cauteleiro

Engraxadores sem caixa
há aos centos na cidade
que só usam da tal graxa
que envenena a sociedade.

Quantas sedas aí vão,
quantos brancos colarinhos,
são pedacinhos de pão
roubados aos pobrezinhos.

... de Manuel Alves (1843 - 1901) - cavador

Nobre e altivo Portugal,
Foste outrora o mais valente,
Hoje tão pobre e doente,
Inpério feito hospital
Saquearam-te o metal,
Altos senhores de cartola,
Partiu a doirada mola
À chave do teu dinheiro,
À porta do estrangeiro
Bates, pedindo esmola.

... de Silva Peixe (1902 - ?) - marinheiro

Honrado e pobre, longe de ilusões!
Pensador; esse dom que é muito meu!
Não sou ninguém nem tenho pretensões
De ser o que não sou. Quero ser EU.

... de Martinho Rita Bexiga (1913 - ?) - mecânico

Com teu Divino poder;
Meu Deus! se a gente merece,
Só tu nos podes valer
Grita o povo em alta prece.

... de José Maria da Silva (1860 - 1940) - serralheiro

A política! Que aversão m'inspira!
transforma o cordeiro em fera bruta,
Uma simples palavra em vil disputa,
A placidez em desmedida ira.

Atendendo às breves eleições no PSD, escolhi uns pedacinhos que tivessem algo a ver com política. Coitados dos sociais-democratas. Terem que escolher entre o mau e o péssimo!...