28 agosto 2009

Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
Outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen

4 comentários:

Gaivota Maria disse...

Nunca veio tão a propósito esta poesia. Será bom que reflictamos sobre ele. Abraço

mfc disse...

A construção da liberdade (e da justiça) é um trabalho contínuo.

Graça Pimentel disse...

Gaivota Maria
Os que mais deviam reflectir, estão-se nas tintas...

beijinho

Graça Pimentel disse...

mfc
Concordo mas não deixo de estranhar que a caminho dos 40 anos de democracia ainda só se tenha conseguido isto. O trabalho é pouco e mau.

beijo