31 dezembro 2007

Último dia do ano

No último dia deste ano, levantei-me cedo. Fui até à beira-mar. Sentei-me nos bancos de pedra tão fria como o ano que finda. Sol e neblina. Agradeci as pessoas maravilhosas que conheci este ano como a tinta_azul, o GV e a ka.


Deitei ao mar tudo o que este ano me incomodou enquanto pessoa, enquanto mãe e avó e enquanto cidadã. Aqui incluí os políticos que me governam e os "emergentes" catapultados ao estrelato, como o Joe Berardo...


Depois deixei que o vento levasse todos os pensamentos negativos e deixasse a minha mente leve e pronta a abrir as janelas ao optimismo e à boa disposição.


No ano que amanhã começa só quero o Lourenço em casa forte e saudável.
Para todos os que por aqui passam desejo um 2008 positivo.

28 dezembro 2007

Os mais belos postais de Boas Festas

"A simplicidade é a sofisticação máxima" Leonardo da Vinci

27 dezembro 2007

Finalmente


Finalmente consegui tempo e disposição para ver a exposição do maior génio de todos os tempos. Aquele que teve uma visão com cinco séculos. Já conhecia quase tudo dos livros mas o "conta-quilómetros" surpreendeu-me.
Um espanto. A não perder no Pavilhão Rosa Mota até 27 de Janeiro das 10 h às 22 h.

26 dezembro 2007

O Natal já acabou



Apesar de o Natal de 2007 ser, para mim, no dia em que o Lourenço vier para casa, cumpri o calendário.

22 dezembro 2007

Bom Natal

2004

2005

Estas árvores de Natal foram enfeitadas pelo Martim, pelo Tiago (meus netos) e pela Laura (que não é neta mas é como se fosse) com obras deles. Para o ano o Rodrigo, o Gonçalo e a Mafalda já poderão colocar na árvores as suas obras. Depois há-de chegar a vez de o Lourenço contribuir para a nossa árvore de Natal.
É com estas árvores que desejo a todos umas Boas Festas e, mais uma vez, agradeço o apoio que nos têm dado e a maneira como têm acompanhado o dia a dia do Lourenço.
Um beijo/abraço amigo.

21 dezembro 2007

O dia de hoje (V)

Os dias vão passando e o Lourenço vai-se portanto bem, como era de esperar. Já respira sem qualquer ajuda e já toma o seu leitinho de 3 em 3 horas.
Obrigada a todos os que têm aqui manifestado o seu apoio e dado a sua força. Acreditem que essa manifestação de amizade tem sido muito reconfortante.

19 dezembro 2007

O dia de hoje (IV)

A espera continua mas tudo vai correndo sem problemas.
O Lourenço hoje esteve no colo da Mãe. Fiquei feliz.

16 dezembro 2007

O dia de hoje (III)

Faz hoje oito dias que o Lourenço nasceu.
A Teresa e o Paulo trouxeram as notícias do dia. O Lourenço pesa 1,200 kg e está a portar-se bem.
A espera continua e amanhã é outro dia.

15 dezembro 2007

O dia de hoje (II)

Mais um dia passou. Menos um de espera...
Já tiraram um cateter ao Lourenço. Também lhe tiraram o oxigénio mas, ao fim de um tempo, ele "pediu" para lhe porem aquilo no narizito, mas no mínimo. Agora está a dormir. Boa noite, passarinho!
A Teresa voltou hoje ao hospital para mais uma dose de ferro endovenoso. Vamos lá ver se a anemia é debelada.

14 dezembro 2007

O dia de hoje (I)

Depois de uns dias de lágrimas "a solo" arribei. Tenho o direito de me ir abaixo e o dever de me levantar. Os dias de espera ainda estão a começar.
Hoje usei o dia mensal que o hospital me dá enquanto avó. Fui ver o Lourenço. Tão lindo! Tão pequenino! Uns pés muito perfeitinhos e grandes - deve vir a ser alto. Umas mãos também grandes e lindas - de pianista... Lá estava na incubadora com tudo quanto é monitorização. Marcava 1,102 kg. Já perdeu peso, como é normal. Estava sossegadinho mas uma enfermeira veio massajar a barriguinha dele para estimular os intestinos e ele não gostou. Chorou. Muito baixinho...
Tive pouca sorte porque lhe tinham posto um pouco de oxigénio, suponho. Por isso tinha um barrete que segurava os dois tubinhos do nariz. Também estava de "óculos escuros" porque tinha a lâmpada ligada. Por isso a carinha estava quase toda escondida. Mas como a Mãe é linda e o Pai também, forçosamente tem uma cara linda. Fechadinho na incubadora, não ouviu nada do que eu lhe disse mas eu disse na mesma. Falei-lhe da Mafalda, dos primos, dos tios e tias, dos avós,... que estão à espera do dia em que ele possa ir para casa, para o pé dos Pais e da Mafalda.
A Teresa foi hoje, ao fim da tarde para casa. Ainda com anemia mas não deixaremos de a obrigar a comer bem para normalizar a hemoglobina. Deixou o Lourenço entregue aos cuidados das enfermeiras da Neonatologia que o tratam como ele precisa agora. A Mafalda ajudou muito a colmatar a falta do Lourenço. Fez uma festa enorme. Já estava a interiorizar que a Mãe entrava em casa pelo telefone e pelo computador e o Pai pela porta.
Agora vivemos um dia de cada vez. Amanhã vem outro...

11 dezembro 2007

O Lourenço

Este é o Gonçalo. Primo do Lourenço. Também nasceu pequenino mas por uma razão diferente. Ao lado dele ia crescendo o Rodrigo e o espaço que o Gonçalo precisava (e ainda hoje precisa) começou a ser insuficiente. Fez da vida do Rodrigo, que sempre foi dado à boa paz, um pequeno inferno e o Rodrigo decidiu nascer para ter um pouco de sossego. Aliás, como, para o Rodrigo, a vida era de pouco mais de "come e dorme", já estava com um peso aceitável. O Gonçalo, como não tinha um minuto de sossego (o que se mantém) era uma amostra de bébé. Hoje, torço para que o Lourenço atinja o peso que o Gonçalo tinha quando nasceu.
As notícias que a Teresa me deu hoje são muito animadoras.

Para a ka

Conheci-te, há pouco tempo, através do sarrabiscos. Comecei por gostar de o-blog-da-ka. Depois comecei a conhecer a mulher maravilhosa que tu és, e nasceu uma amizade. Hoje mostraste-me quão grande é a nossa amizade. Deixaste-me emocionada, com as lágrimas nos olhos e sem palavras.
Desde 4 de Novembro que me tens manifestado, de diversas formas, o teu apoio nesta fase complicada da minha vida. Obrigada, ka!
Como ainda te falta muito para ser avó, eu vou preparar-te. É maravilhoso ver crescer um neto. Adoro ser avó. Consigo o distanciamento suficiente para apreciar, com alguma calma, o desenvolvimento dos netos, o que dá um prazer imenso, indescritível. E tudo isto é vivido com o conhecimento acumulado ao longo de uma vida. Os meus olhos de hoje são bem diferentes dos meus olhos aos trintas. É muito diferente de criar um filho. Mas tem um pequeno senão. Qualquer problema com um neto dói a quadriplicar. Dói por mim, pela filha, pelo neto(a) e pelo genro. Dói para além da conta, podes crer! O teu apoio, e o de todos os que também o têm manifestado, tem sido um bálsamo.
Para ti um beijo imenso e a minha amizade incondicional.

10 dezembro 2007

O Lourenço já é cidadão português

Ontem, pouco depois das 11 h, o Lourenço nasceu. A meta das 32 semanas não foi atingida mas a Teresa conseguiu que o filho ultrapassasse as 29 semanas. Todos torcemos e ele ainda se aguentou cinco semanas desde o dia em que esta saga começou.
O Lourenço, com 1,210 kg, lá está na incubadora a fazer pela vida. A Teresa teve uma cesariana complicada. Ontem esteve bastante fraca mas hoje já reconheci a minha filhota mais nova. Deixei-a há pouco para ir com o Paulo, à neonatologia, ver o pequenote.
Agora resta torcer que a Teresa se restabeleça totalmente e para que o Lourenço continue a crescer e engordar cá fora o que não teve oportunidade de fazer aconchegadinho dentro da Mãe.

Fica agora um beijinho de boa noite para o meu novo netinho com as palavras que a Alice Vieira certamente me emprestará.

Boa noite, passarinho

Boa noite, passarinho
onde é que tu vais dormir?
Vou dormir num ramo verde
com o luar a luzir.

Boa noite, passarinho

onde é que tu vais sonhar?
Vou sonhar no bosque verde
tão verde à luz do luar.

Boa noite, passarinho

estás cansado de voar?
Escondo a cabeça na asa
e já posso descansar.

Boa noite, passarinho

onde é o teu candeeiro?
São os olhos amarelos
do movho do castanheiro.

Boa noite, passarinho

um soninho descansado.
Quando acordar de manhã
vou cantar ao teu telhado.

08 dezembro 2007

Reflexo

Museu Alberto Sampaio



Pormenores do interior do Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. No próximo mês entramos no ano do centenário da morte do escritor e historiador nascido em Guimarães, a 15 de Novembro de 1841.
Aqui pode sara saber mais sobre Alberto Sampaio.

06 dezembro 2007

Para a Mafalda

Esta borboleta e a respectiva canção são para a Mafalda que espera, como nós, a chegada do Lourenço e que sente, como nós, a falta da Teresa.
Borboleta linda
Vais de flor em flor
Cheia de beleza d'encanto e cor.
Borboleta linda
Não fujas de mim
Vem à minha mão
Que eu gosto de ti

Voa, borboleta (2x)
Voa, borboleta, assim
Voa, borboleta (2x)
Voa junto a mim

Borboleta linda
Quem te fez assim?
Toda pintadinha
De luz e cetim.
Borboleta linda
Linda de encantar
Gosto de te ver
Feliz a voar.

Voa, borboleta (2x)
Voa, borboleta, assim
Voa, borboleta (2x)
Voa junto a mim.
A canção está aqui

05 dezembro 2007

Fim de semana

Ainda se joga à malha. Genro e netos mostram-no.

04 dezembro 2007

Fermentelos

Esta é a casa dos meus avós paternos. Aqui passei muitos dias felizes da minha infância com os meus primos. Aqui rachei a testa e o meu avô coseu-me o golpe com agrafes, em cima da mesa da sala de jantar. Serviço perfeito. Nenhuma marca. O meu avô era um bom médico.
Hoje a casa é de um dos meus primos que a restaurou. Para mim é uma casa linda. Linda porta, lindas janelas e um mirante que é um espectáculo. Só precisa que o tempo a deixe desbotar um pouco...

27 novembro 2007

Os futuros políticos deste país



No dia 10 de Novembro foi a abertura oficial das comemorações do Ano Internacional do Planeta Terra, 2008, proclamado pela Assembleia-geral das Nações Unidas com o objectivo de promover o conhecimento sobre o potencial das Ciências da Terra. No dia 24 de Novembro comemorou-se o Dia Nacional da Cultura Científica, proclamado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia em 1997, em homenagem a Rómulo de Carvalho, no 90º aniversário do seu nascimento.Para comemorar estas duas datas, a Área Disciplinar de Ciências Físico-Químicas, da escola a que pertenço, organizou uma exposição que decorre entre os dias 22 e 29 de Novembro. Como, no 7º ano, estamos a dar os planeta, e o Planeta Terra, único com água no estado líquido, pedi aos miúdos para trazerem provérbios ou ditos populares em que aparecesse a palavra água para figurarem na exposição com o nome de quem fizesse essa recolha. Aconselhei-os a perguntar aos avós ou outras pessoas de idade, que melhor conhecem esses ditos. Alguns nada fizeram, a maioria trouxe 3 ou 4 provérbios mas houve uma meia dúzia que trouxe folhas A4 cheia deles. Um dos alunos apresentou-me 42 provérbios. Passados a computador, com cores. Um belo trabalho de pesquisa. Para que se deliciem aqui ficam alguns dos provérbios que este aluno me entregou:

  1. A água da minha vizinha é sempre melhor que a minha
Quem não tem água caça com gato
  • A água dada não se olha o dente
  • A água não faz o monge
  • A água faz a força
  • Casa assaltada, águas na porta
  • Em casa de ferreiro, espeto de água
  • Água velha não aprende línguas
  • Cada água no seu galho
  • De Espanha, nem bom vento nem boa água
  • Devagar se vai à água
  • De pequenino se torce a água
  • Deus escreve certo por águas tortas
  • Em terra de cegos, quem tem um olho é água
  • Entre marido e mulher, não se mete a água
  • Há males que vêm por água
  • Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de água
  • A união faz a água
  • Quem água ama, bonita lhe parece
  • Longe dos olhos, longe da água
  • Mais vale água que nunca
  • Água prevenida vale por dois
  • Três foi a água que Deus fez
  • Sorte ao jogo, água no amor
  • Quem vê água não vê corações
  • Quem corre por água não cansa
  • Quem avisa, água é
  • Pela água morre o peixe
  • Conseguiram ler até aqui? Óptimo. Devem ter os olhos rasos de água. Quando os provérbios não tinham a palavra-chave, ele “metia água”. Engenhoso, não?
    Por favor não digam nada à Maria de Lourdes Rodrigues. Se ela sabe que um aluno meu fez este TPC, a culpa ainda é minha e os pais da criança ainda me fazem uma espera... Confio em vocês.

    26 novembro 2007

    Deus nos livre

    Entre 1996 e 1999, leccionei Física e Química dos 10º e 11º anos e Química do 12º ano a uma turma daquelas que os professores, com sorte, apanham uma vez na vida. Rapazes e raparigas trabalhadores, vivos, bons colegas, amigos, com projectos de vida, educados e com vontade de aprender. Estas três últimas características foram banidas das escolas, com uma ou outra honrosas excepções. Entre os alunos desta turma havia um que, desde o 10º ano, me deu nas vistas pela sua postura. Logo no início me disse que, desde pequeno, queria ser médico. Em 1999, esse jovem não entrou em Medicina por décimas. Entrou em Enfermagem. Em 2000, já com o primeiro ano de enfermagem feito, voltou à Escola Secundária para fazer de novo os exames. É que a média dos exames nacionais é como um iogurte. Tem um prazo de validade muito curto. No início de Março veio a minha casa buscar material para preparar os exames. E voltou em 2001. E em 2002. E em 2003. E em 2004. Chegou e ter 20 a Química mas a Biologia não ajudou. Concluiu o curso de Enfermagem. Entrou em Veterinária e, quando estava no segundo ano, conseguiu finalmente realizar o seu sonho. Entrou em Medicina. Isto é perseverança. Isto é lutar por um sonho. A este médico entregava a minha vida de olhos fechados.
    Um dia esse aluno, com quem ainda hoje mantenho contacto, disse-me que achava que a entrada em Medicina não deveria estar apenas dependente de médias. Aliás, dizia ele, os melhores alunos são, numa maioria significativa, os marrões que manifestam maiores deficiências nas relações humanas. Deveria haver provas que testassem as qualidades humanas dos candidatos.

    Infelizmente não é. Os médicos são, na sua maioria, desumanos tendo em conta que lidam com seres humanos fragilizados. Todos temos histórias tristes para contar.
    Mas testar qualidades humanas iria permitir a entrada em Medicina de alunos com notas mais baixas e, para a classe médica, isso era desprestigiante. Já houve, em 2004, uma tentativa de realizar uma prova, aliás excelentemente bem feita, para ser utilizada na selecção dos alunos para o curso. Na testagem dessa prova, as notas foram tão baixas que nunca foi avante essa ideia. Infelizmente.
    Os médicos estão carregados de direitos mas, muitas vezes, esquecem-se de que também têm deveres. Principalmente o de tratar o doente como um ser humano com sentimentos.
    Lembro-me de ser miúda e ouvir o meu Pai, que era radiologista, contar a história de um homem que dizia “Eu vou ao médico porque os médicos têm que viver. A seguir vou comprar os medicamentos porque o farmacêutico também precisa de viver. Depois deito os medicamentos fora porque eu também quero viver”
    Deus nos livre de precisar dos médicos e de ir parar a um hospital sem uma cunha.

    23 novembro 2007

    Teresa e Lourenço

    Para todos os que me têm escrito mensagens amigas e palavras de apoio à Teresa a ao Lourenço. aqui ficam notícias e uma fotografia da Teresa.
    O Lourenço faz hoje 27 semanas. Já tem mais três semanas desde o dia em que a minha filha foi internada pela primeira vez. São três vitórias, se pensarmos em semanas, mas são vinte e uma vitórias, se pensarmos em dias. O Lourenço está bem e a crescer como deve. A Teresa está já conformada com o segundo internamento e com a vontade (de qualquer futura mãe) de tudo fazer para ter o bébé ao colo.
    Como mãe e como avó, o meu sentido "obrigada" a todos os que, pessoalmente ou por meio do "sarrabiscos", têm acompanhado os meus dias de angústia.
    Continuemos a torcer para podermos comemorar mais vitórias.

    Um beijo amigo a todos

    19 novembro 2007

    Perdão

    Aqui me tens, meus Deus, em confissão.
    Não roubei. Não matei. Não caluniei.
    Mas nem sempre segui a tua lei,
    nem sempre fui a irmã do meu irmão.

    Não recusei aos outros o meu pão.
    Amor, algumas vezes, recusei.
    Mas por tudo o que dei e o que não dei,
    eu te peço, meu Deus, o teu perdão.

    Perdão para os meus erros conscientes
    e para os meus pecados inocentes,
    para o mal que já fiz e ainda fizer...

    Perdão para esta culpa original,
    para este longo e complicado mal:
    o crime sem perdão de ser mulher.

    Fernanda de Castro
    A minha filhota está a pagar o crime de ser mulher. Porquê? Não é justo.
    É irónico. Estamos todos envolvidos num problema e rezamos para que o problema se mantenha... Se ao menos pudessemos hibernar durante uns meses!

    15 novembro 2007

    A minha mãe

    Para a minha Mãe, que hoje faz anos, esta lembrança de quando me pegou ao colo há muitos, muitos anos.
    Parabéns, Mãe!

    14 novembro 2007

    Os grão-capitães

    Há pouco tempo um amigo ofereceu-me o livro de contos "Os grão-capitães" de Jorge de Sena. Estou a lê-lo. Um dia destes li o parágrafo da página 55, que transcrevo.

    "De modo que os doentes, quando os havia, baixavam ao hospital (que, em Penafiel, era o hospital civil da Misericórdia, único da cidade), oficialmente por três dias, recebiam alta, voltavam em braços para o quartel por não haver transporte providenciado para eles, e aí continuavam, extra-oficialmente, a frequentarem as aulas e a participarem das formaturas, respondendo, às vezes, às chamadas pela boca de outros que os representavam."

    Voltei a ler. Não há dúvidas. O erro está lá. Em duplicado. Erro tanto mais grave quanto se trata de Jorge de Sena. Se fosse um livro de alguém ligado ao futebol ou à televisão (que agora todos publicam livros), continuava a ser erro mas não tinha, para mim, o mesmo peso.
    Gralha? Não. Gralha não aparece duas vezes seguidas. Fui ver a edição. Sexta. Quantos portugueses já leram este livro? Ninguém até hoje chamou a atenção para estes erros? Jorge de Sena não conhece a conjugação perifrástica?
    É. no mínimo, muito estranho.

    13 novembro 2007

    O trabalho das aranhas

    Trabalham sozinhas. Trabalham muito. Trabalham em paz. E fazem estas rendas lindas...

    12 novembro 2007

    Para a Teresa

    Esta flor "colhida" em Arentim, hoje traz-me lágrimas de alegria. É para a Teresa.
    Regressa amanhã a casa onde vai esperar em repouso a chegada do Lourenço.

    08 novembro 2007

    Sentei-me aqui...

    ... a pensar na Teresa e no Lourenço.

    01 novembro 2007

    O Nijinsky escapou à licenciatura

    Hoje estou particularmente irritada. Para além da tendinite nos pulsos, que teima em não me dar tréguas, acordei com a voz de Valter Lemos. Haverá pior acordar que este? Depois li um jornal. Mais Valter Lemos acompanhado de Maria de Lurdes Rodrigues. Nas notícias da uma, mais Valter Lemos. Está a ser superior às minhas forças. Valter Lemos já é um desastre calado. A falar é de deixar os nervos em franja. Vou dormir a sesta para não ouvir mais nada.
    Falam eles do novo estatuto do aluno do ensino não superior. Outro desastre. Tanto batalharam contra a falta de assiduidade dos professores! Agora incentivam a dos alunos. É assim que se educa? Não deveriam os jovens aprender a marcar a sua presença diária no seu posto de trabalho - a escola? Considero uma atitude particularmente deseducativa.
    O facilitismo está na crista da onda. Isso lembrou-me uma crónica que escrevi, publicada em Outubro de 2004, e cujo título era "O Nijinsky escapou à licenciatura". Deixo aqui uns excertos dessa crónica para desabafo meu e para leitura de quem estiver interessado.
    "Perdi completamente o rasto de um colega de curso que tive nos preparatórios de Engenharia na Universidade de Coimbra. Era de ascendência russa e fomos dois bons amigos. Uma excelente pessoa e um óptimo colega. Na casa dos pais do Miguel tal como na dos meus, sempre houve gatos. Um dia ele ofereceu-me um gato siamês, puro, da última ninhada de uma das gatas lá de casa. O bichano já vinha baptizado – Nijinsky. Lembro-me da empregada dos meus pais ter comentado a propósito do nome do bicho: “Ó menina! Nem eu lá vou quanto mais o gato!”.
    ...
    Voltemos ao tempo em que o Nijinsky ficava horas no colo do meu pai. Foi quando o curso de Engenharia passou de seis para cinco anos e quando o ensino começou a descambar e o superior começou a proliferar pelo país. Já era de prever que acabaríamos por ter uma 'faculdade' rua sim, rua não, em cidades, vilas e aldeias, com qualidade cada vez mais duvidosa. “Se não me acautelo, um dia destes dão uma licenciatura ao Nijinsky” – costumava dizer o meu pai. Viu longe. O Nijinsky só não é hoje licenciado porque já morreu. Temos Faculdades e Institutos em tudo quanto é lugarejo, com tudo quanto é professor e, tantas vezes sem quaisquer critérios de qualidade. Só não é licenciado quem não quer. Saber algo depois de licenciado já é outra conversa que, pelos vistos, não preocupa os governantes. Quando uma pessoa tira uma licenciatura em Línguas e Literaturas e diz “Há-des trazer-me o livro”, “Comprastes o que te pedi?” ou “Fará-se o que se puder”, ainda vamos a tempo de fazer alguma coisa?
    ...
    Interessa quantidade. A qualidade é um requisito que já não conta neste país. É preciso licenciados. Muitos. Quanto mais não seja para o desemprego. “O modelo que propomos para Portugal tem em conta as necessidades do país e a situação nos outros países europeus”, disse Maria da Graça Carvalho. E o modelo é claro. Licenciaturas em três anos. Mestrados com mais dois. Ou seja, no mesmo tempo, ou menos, que demorava tirar um curso superior, hoje já se tem o mestrado. Com jeitinho, os meus netos vão sair doutorados com um semestre numa qualquer faculdade. Só me tranquiliza saber que a formação e a cultura não lhes vão faltar.
    ...
    Quando eu me formei, um professor de qualquer grau de ensino, um médico, um advogado, um juiz, um economista, um engenheiro, um político,… eram pessoas com categoria merecedoras de todo o respeito. Uma elite com nível, com valores e com valor. Gente responsável. Profissionais competentes cujo exemplo era de seguir. A massificação do ensino, o abandalhamento da política, a demissão dos pais enquanto educadores, a desvalorização do mérito conduziram-nos ao caos que vivemos hoje. Salvo raras e honrosas excepções, ninguém respeita ninguém porque ninguém se sabe dar ao respeito.
    Aqui há uns tempos, quando ainda tinha uma esperança de que o espírito orientador dos sindicatos fosse o bem do ensino, fui a um dos sindicatos de professores dos milhares que existem hoje. (Desconfio que há professores inscritos em vários sindicatos simultaneamente. Caso contrário, cada sindicato teria apenas meia dúzia de professores associados). Uma dirigente sindical contou-me que apareceu lá um professor para se tornar sócio. Tinha um curso médio tirado num qualquer Instituto duma cidade do Norte do país. A colega explicou-lhe que, embora lamentando, não podia associá-lo nesse sindicato porque só aceitavam licenciados por faculdades. “A mim têm de me aceitar. Tenho um mestrado em Artes em Verga” – disse o professor. Palavras para quê? É enorme o número de portugueses com mestrado em qualquer coisa. Não quer dizer que não haja mestrados sérios. Claro que há. Mas a banalização desse título, com qualidade duvidosa, retirou-lhe valor. Desacreditou-o. É melhor ter uma licenciatura “do antigamente” do que um mestrado de hoje. Como será daqui a uma dezena de anos?"

    31 outubro 2007

    E veio o vento...

    Dia mundial da poupança

    A poupança é como a despesa; é para quem pode...

    27 outubro 2007

    25 outubro 2007

    Na quinta...

    ... também há medronhos.

    23 outubro 2007

    22 outubro 2007

    Passeio de domingo

    Ontem, a minha caminhada foi até ao Parque das Sete Bicas. A Comunidade Paroquial da Senhora da Hora organizou aí um concerto. Tuba, trombone, trompete e trompa tocaram, e bem, neste espaço agradável.

    De volta a casa, depois de ouvir o Conjunto de Metais, encontrei este portão. Não é um ferro velho, não é um bairro de lata. É mesmo o portão de uma escola. Condizente, aliás, com o estado da educação.

    Encontrei ainda esta árvore que revela o espírito de sobrevivência. Meia-morta. Mas a metade viva ignora a morta e insiste em manter-se frondosa. Também podemos fazer um paralelismo com a educação. Apesar de esta estar meia morta, ainda há quem insista e acredite que vale a pena mais um esforço. Veremos se a parte morta não acaba com os resquícios de vida.