22 fevereiro 2011

19 fevereiro 2011

Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei-de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinícius de Moraes

18 fevereiro 2011

Fonte dos Amores


Estavas, linda Inês, posta em sossego...
Nos saudosos campos do Mondego...
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Camões

Insónia

Nesta insónia (des)preocupada lembrei-me da minha avó, talvez porque ainda ontem falei nela.
Esta lareira de granito, vigiada pelo S. Pedro, é da casa que foi dela e que hoje é da minha mãe.

16 fevereiro 2011

Ternura


Puxo sobre os teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te lentamente,
e é ternura também que vou vestindo
para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


David Mourão-Ferreira

14 fevereiro 2011

Da janela do meu quarto

S. Pedro mandou uma semana de sol, quase primavera, e a árvore que fica em frente à janela do meu quarto entendeu que tinha chegado a hora de florir. Vestiu o seu mais lindo vestido e no sábado estava maravilhosa. Na noite de sábado para domingo a chuvada imensa e vento deram cabo do vestido da minha árvore. Francamente, S. Pedro, isto não se faz!