02 junho 2009

Lenda da Imagem do Bom Jesus de Matosinhos

Hoje é feriado na terra que adoptei como minha. É o dia grande das festas do Senhor de Matosinhos.

A Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, eregida no século XVI, está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1982. Já resta pouco desse templo inicial. A igreja foi profundamente alterada no século XVIII. A partir de 1743, Nicolau Nasoni levantou as paredes laterais e produziu uma fachada barroca totalmente nova. Durante o século XVIII o interior da igreja foi coberto, de um modo significativo, por talha dourada, ao gosto do barroco.
A Igreja fica para uma próxima oportunidade. Hoje fico-me pela lenda.

"Lenda da Imagem do Bom Jesus de Matosinhos
A Imagem do Bom Jesus de Matosinhos é a mais antiga representação existente em Portugal, esculpida em madeira, de um Cristo crucificado em tamanho natural.
Embora tipologicamente seja possível enquadrar esta escultura na transição do românico para o gótico, e datá-la entre os últimos anos do século XII e os primeiros do XIV, a origem lendária deste crucifixo está, no entanto, profundamente enraizada na comunidade e na tradição popular. Segundo esta, o autor da imagem é Nicodemos, personagem bíblica que, com a ajuda de José de Arimateia, retirou Cristo da cruz e o depositou no sepulcro. Impressionado com os acontecimentos que testemunhara, e porque era bastante dotado para o trabalho em madeira, Nicodemos resolve esculpir diversas imagens de Cristo crucificado, sendo auxiliado nesse seu trabalho pela circunstância de possuir o santo sudário – o tecido que, por ter envolvido o ensanguentado corpo de Cristo, reproduzia fielmente a imagem e as feições de Jesus.
Estas imagens não permanecerão, contudo, muito tempo na sua posse. Sendo comprometedores indícios face às perseguições de que os cristãos são vítimas por parte dos judeus e romanos, Nicodemos lança as suas imagens às águas do Mediterrâneo.
A mais bela e perfeita de todas, a que melhor reproduzia a face de Cristo – por sinal a primeira que havia sido esculpida – depois de cruzado o estreito de Gibraltar e sulcado o Atlântico junto às costas portuguesas, acabou por ser depositada pelas águas na praia do Espinheiro, junto ao lugar de Matosinhos. Estávamos, ainda segundo a lenda, no dia 3 de Maio do ano 124.
Recolhida a imagem na praia pela população, constatou-se, contudo, que lhe faltava um dos braços. No local não se encontrou o membro em falta e, por muitos braços que se tenham mandado fazer aos melhores artífices, nenhum encaixava de forma perfeita no ombro amputado. E assim, resignados, deixam ficar a imagem resguardada no Mosteiro de Bouças, localizado não muito longe do local do seu aparecimento. Até que...
Cinquenta anos depois, na praia, uma pobre mulher recolhe lenha. De regresso a casa observa, estupefacta, que um grande pedaço de madeira teima em, milagrosamente, saltar do fogo sempre que para ele era lançado. Milagre reforçado por ter sido uma jovem filha a indicar à mãe que a lenha em questão era o membro ausente na imagem do Senhor guardado no Mosteiro de Bouças. Facto que em si não encerraria nada de especial não fosse a circunstância de, até aquele momento, a miúda ter sido surda-muda de nascença...
Rapidamente aplicado no crucifixo, de imediato se constatou estar em presença do braço até aí extraviado. Começava assim a veneração desta imagem que, desde muito cedo, fez rumar a Bouças e, depois da sua transferência no século XVI para a nova igreja, a Matosinhos, inúmeros peregrinos e romeiros fascinados com a fama crescente dos seus milagres que, desde então, não deixaram de se multiplicar.
Independentemente da lenda, a referência histórica e documental mais antiga, até agora conhecida, à imagem e à devoção que lhe está associada data de 1342."


(texto de Joel Cleto - licenciado em História e Mestre em Arqueologia é, talvez, o homen que mais sabe da história de Matosinhos)

2 comentários:

mdsol disse...

Além de não conhecer a lenda, nunca fui ao Sr. de Matosinhos. POde?
Agora olha só a minha vergonha: Há dois anos em Minas Gerais, tiveram a gentileza de me levar a passear,juntamente com outra colega. Andamos por várias cidades e julgo que em Congonhas, perto da Igreja que agora anda aí como uma das Maravilhas Portuguesas no Mundo, a colega brasileira que andava connosco, mostra-ns uma réplica do Sr. de Matosinhos que um emigrante havia mando construir. Fui-me calando, mas a minha colega portuguesa que é de Matosinhos fartava-se d comentar e só me pedia para confirmar...
Vergonhas

beijnho
:))

Graça Pimentel disse...

mdsol
Que não venhas ao Senhor de Matosinhos, eu desculpo. Não sou apreciadora de festas populares deste tipo.
Agora que não conheças a Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, essa não perdoo.
Ficas convocada (não é convidada) para apanhar o metro, num sábado ou domingo. Eu espero-te na Senhora da Hora e levo-te a conhecer a Igreja que é bem bonita. Com antecedência mando-te, por mail, a "teoria" da Igreja como TPC.

Beijinhos